Descrição da Cidade de Lisboa


DAMIÃO DE GÓIS

trad. de Raul Machado
capa de pcd; 5.ª ed.; 68 págs.
ISBN 978-972-8351-43-7
cód. barras 9 789728 351434
13,00 eur

Da nota editorial, em contraponto ao «agradável traçado» descrito por Góis em 1554:
«[...] a cidade, de facto, muito recentemente, foi arrasada e os seus mais ilustres habitantes dispersos, não por terramoto ou visível guerra, mas por uma peste urbana de que políticos e empreiteiros tiram altíssimo proveito. Sofreu-o a toponímia e, de igual modo, a graça de mulheres e homens que viviam amenizados ao território assim como aos seus cargos e encargos.
Obrigados a partir, para longe do centro, da baixa, para o subúrbio da alma, espavoridos. O seu legítimo lugar está agora ocupado por mentes cinzentas. De funcionário público, de forças-da-ordem, de corretor da bolsa, de tesoureiro, de vereador, de chefes e secretários de meia-tigela... Arrivistas, em suma.
No geral, substituiu-se o encantamento da livre escolha de uma experiência directamente vivida no exterior e as luzes da cidade pela incontornável rotina de um serviço mediático frente a uma lâmpada privada. E os que ficaram não ficaram menos desafogados do próprio lixo que produzem, e as vistas panorâmicas sob as suas janelas já só se debruçam sobre opacas muralhas de cimento.
É o triunfo da separação, o eremitério colectivo, que tem por corolário o declínio do passeio público, o refluxo das zonas ajardinadas, o apetite imobiliário pelas matas circundantes... Dá-nos conta Nietzsche que, com a ascensão dos cristãos ao poder, das primeiras nocividades que se fizeram sentir terá sido o encerramento dos balneários públicos romanos. Os novos laicos ainda agem conforme. [...]»

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